O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta terça-feira (28) que o governo federal negou repetidamente pedidos de ajuda para a realização de operações policiais no estado. A declaração ocorre em meio a uma intensa ação nos complexos do Alemão e da Penha, que, segundo informações, resultou em pelo menos 60 mortes em violentos tiroteios.
Segundo Castro, o estado enfrenta o crime organizado sem o apoio federal. "O Rio está sozinho", declarou o governador.
Em suas críticas, o governador detalhou as recusas que teria recebido do governo federal:
“Tivemos pedidos negados 3 vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, reclamou Castro.
A operação desta terça-feira foi descrita pelo governador como a "maior já feita no Rio desde 2010". Castro também mencionou que os confrontos ocorreram, principalmente, em áreas de mata dentro das comunidades.
O que é a GLO
A Garantia da Lei e da Ordem (GLO), citada pelo governador como um dos entraves para a ajuda federal, é uma operação prevista na Constituição. Ela autoriza o uso das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) em ações de segurança pública em situações excepcionais, quando há esgotamento das forças policiais estaduais. Nesses casos, os militares passam a atuar com poder de polícia, de forma temporária e sob comando do presidente da República.
Legalidade da operação
Cláudio Castro defendeu a legalidade da ação e afirmou que a operação cumpriu todas as regras estabelecidas pela ADPF 635, do Supremo Tribunal Federal (STF), que define regras para as ações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.
O governador destacou ainda que o Ministério Público do estado acompanha o avanço das tropas.
“Todas as regras da ADPF foram cumpridas, inclusive com a participação do Ministério Público. Acabei de falar com o procurador-geral de Justiça [Antonio José Campos Moreira], que está em Brasília, mas está acompanhando tudo”, afirmou o governador.

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