Polícia Civil apontou uso de inteligência artificial e perfis falsos para aplicar golpes em cinco estados; Laís “Japa” é apontada como peça central na divulgação.
A influenciadora digital Laís Rodrigues Moreira, conhecida como “Japa” e residente em Piracicaba, foi presa durante operação conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (1º). Ela é apontada como uma das principais divulgadoras de conteúdos fraudulentos em uma rede nacional de estelionatos digitais que movimentou mais de R$ 20 milhões por meio de vídeos manipulados com inteligência artificial.
A chamada Operação Modo Selva foi deflagrada para desarticular o grupo, que utilizava vídeos com deepfakes de celebridades como Gisele Bündchen, Angélica, Juliette, Maísa e Sabrina Sato para enganar consumidores com falsas ofertas de produtos. Os investigadores identificaram que os vídeos promoviam supostos brindes, como malas ou kits de beleza gratuitos, com pagamento apenas do “frete”. Após a cobrança, os produtos não eram entregues e o dinheiro ia para contas de fachada.
Além de Laís, o principal articulador do esquema, Levi Andrade da Silva Luz, também foi preso. Ele se apresentava nas redes como mentor de um “método de pensamento predador digital”, oferecendo treinamento para novos golpistas em plataformas de mentoria. O conteúdo ensinava desde técnicas de manipulação em redes sociais até instruções sobre ocultação de identidade com o uso de VPNs e perfis falsos.
Segundo a investigação, Laís, que possui mais de 110 mil seguidores, atuava como amplificadora dos conteúdos fraudulentos. Ela também é investigada por promover jogos de azar ilegais em suas redes. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 210 milhões em ativos ligados aos investigados, incluindo contas bancárias, carteiras digitais e criptomoedas, além do sequestro de veículos de luxo.
As ordens judiciais abrangeram cinco estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco. Foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão, além do bloqueio de 21 ativos financeiros e a indisponibilidade de dez veículos.
A investigação teve início após uma moradora do Rio Grande do Sul registrar queixa ao perceber ter sido enganada por um vídeo em que a imagem de Gisele Bündchen era usada para promover um produto fictício. Os golpistas cobravam quantias entre R$ 20 e R$ 100, o que, segundo a polícia, reduzia a chance de as vítimas denunciarem o golpe. Os perfis dos criminosos nas redes sociais exibiam sinais de ostentação, com carros de luxo como Porsche Cayenne, Range Rover Velar e motos de alto padrão.

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