Limeira recebeu nesta quinta-feira (27) o anúncio da instalação do Paulistão Atacadista, empreendimento do Grupo Savegnago, que deve ser construído na Via Luiz Varga. O evento, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, apresentou um projeto avaliado em R$ 47,5 milhões, com previsão de gerar cerca de 200 empregos diretos. A inauguração está prevista para junho de 2026.
Apesar de o investimento ser positivo para o município, o entusiasmo do governo contrasta diretamente com a realidade enfrentada por quem já está aqui há anos: o pequeno e médio comerciante limeirense. Enquanto um grande grupo empresarial recebe destaque, a área central da cidade — onde está concentrada boa parte do comércio tradicional — permanece abandonada, insegura e com infraestrutura degradada.
Lojistas reclamam da queda do fluxo de clientes, do acúmulo de moradores de rua, da falta de zeladoria e da ausência de ações concretas que impulsionem as vendas ou revitalizem o centro. Para muitos comerciantes, a sensação é de que há festa para quem chega, mas descaso para quem sempre sustentou a economia local.
O investimento privado é importante, gera empregos e movimenta o mercado. No entanto, a pergunta que fica é: e o limeirense que vive do próprio negócio?
O que tem sido feito pelo poder público para auxiliar quem paga aluguel, funcionários, impostos e ainda enfrenta diariamente os efeitos do abandono urbano?
Enquanto o município comemora a chegada de um novo gigante do varejo, comerciantes locais seguem cobrando algo básico: políticas reais de apoio, incentivo e revitalização. Sem isso, grandes anúncios continuarão sendo manchetes — mas a economia do pequeno, que é quem mantém a cidade viva no dia a dia, seguirá no esquecimento.

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