O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos e, ao mesmo tempo, mais instáveis. A combinação entre o avanço de investigações sensíveis, decisões no Supremo Tribunal Federal (STF) e o impacto do chamado Caso Master pode criar um ambiente desfavorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), colocando em risco uma possível tentativa de reeleição.
Paralelamente, a oposição vê crescer o protagonismo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde que foi anunciado oficialmente como o nome do clã para a disputa presidencial de 2026, a pré-candidatura do senador passou a ser observada com mais atenção, tanto por aliados quanto por adversários.
As incertezas se intensificaram em dezembro de 2025, quando Flávio afirmou que haveria “um preço” para abrir mão da disputa, alimentando especulações sobre acordos políticos e rearranjos internos no campo conservador. No entanto, a mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 14 de janeiro, trouxe novos elementos ao debate ao apontar uma oscilação positiva nas intenções de voto do senador.
Embora o levantamento ainda indique vantagem de Lula em cenários simulados contra diferentes adversários, Flávio Bolsonaro aparece consolidado como o nome mais competitivo da oposição. Segundo os dados, 54% dos entrevistados acreditam que o senador levará a candidatura até o fim. Entre eleitores alinhados ideologicamente à direita, a confiança é ainda maior: 83% dos bolsonaristas e 75% dos eleitores de direita veem viabilidade real em sua candidatura.
Dentro do Partido Progressistas (PP) e de outras siglas do chamado “centrão”, o crescimento de Flávio reforça o dilema estratégico: apoiar uma “candidatura de legado”, ligada diretamente ao bolsonarismo, ou priorizar uma construção mais pragmática focada exclusivamente na vitória eleitoral.
Enquanto isso, no campo institucional e econômico, o Caso Master surge como um novo fator de risco para o governo. O escândalo ganhou força após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, depois do veto à compra da instituição pelo BRB. Para Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, o episódio representa um terreno politicamente perigoso para Lula às vésperas do processo eleitoral.
Segundo Garman, o potencial de desgaste é elevado devido à ampla rede de relacionamentos políticos mantida pelo proprietário do banco, que envolveria lideranças de diferentes espectros ideológicos — do centro à direita e à esquerda. Esse alcance reacende o debate sobre corrupção e pode afetar diretamente a imagem do governo federal, sobretudo se novas investigações avançarem.
O temor no Planalto é que o caso desencadeie apurações mais profundas, revelando possíveis vínculos inadequados entre agentes políticos e operações fraudulentas da instituição financeira. A depender do rumo das investigações e do posicionamento do STF, o episódio pode se tornar um elemento central da narrativa eleitoral de 2026.
Com a oposição buscando se reorganizar, a direita dividida entre estratégia e ideologia, e o governo enfrentando potenciais crises institucionais, o caminho até as próximas eleições promete ser marcado por disputas intensas, investigações sensíveis e forte impacto na opinião pública.

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